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domingo, 30 de setembro de 2012

O Vento - The Wind


Diz-se que vento é o ar em movimento... Puro engano. O vento é uma entidade com vontade e sentimentos próprios. Muitas vezes passa por nós e acaricia-nos, abraça-nos, sussurra-nos com ternura e suavidade. Outras vezes empurra-nos e gela-nos o coração e a alma. Também o obrigamos a trabalhar para nós, é um facto, desde secar-nos a roupa a produzir energia, mas por vezes vinga-se e destrói-nos como se fôssemos apenas inofensivos insectos.
Pode dizer-se que o vento reina nos céus, onde as nuvens são para ele um obediente rebanho, que obriga a dançar e a assumir estranhas formas, para seu prazer e deleite. Mas na verdade o seu reino é universal. O oceano rebela-se mas obedece, e a terra dificilmente protege as suas criaturas quando o vento liberta a sua fúria...

It is said that wind is moving air ... Pure deception. Wind is an entity with his own will and feelings. Often he passes by us and caresses, embraces our body, whispers to us with soft tenderness. Sometimes he pushes us and freezes our heart and soul. We force him to work for us, it is a fact, from drying our clothes to producing energy, but sometimes he takes revenge and destroys us, as if we were only harmless insects.
It can be said that the wind reigns in the skies, where the clouds are to him an obedient herd, that he forces to dance and to take strange forms, for his pleasure and delight. But actually his kingdom is universal. The ocean rebels but obeys, and the land hardly protects her creatures when the wind releases its fury...



O vento que seca as roupas
The wind that dries the clothes



O vento que acaricia
The wind that caresses


Oferta de energia
Giving power


Um céu para se recrear
A sky to his own delight


O oceano rebela-se inutilmente
The ocean uselessly rebels


E as criaturas terrestres curvam-se perante o vento
And earth creatures curve to the wind

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

As sombras e a luz


As luz joga com as sombras um jogo eterno, todos os dias ganho e todos os dias perdido. É uma batalha sangrenta, travada nos céus, que pinta de vermelho, a oriente e a ocidente, de manhã e ao final da tarde. O dia é da luz, mas sempre a luz é perseguida implacavelmente pela sombra. A noite é da sombra, mas a luz inventa, com todos os sentidos, mil formas de vencer a sombria noite. E nesta guerra vivemos, nesta luta fazemos as nossas escolhas...

The light plays with the shadows an eternal game, every day won and every day lost. It's a bloody battle waged in the skies, that are painted on red, east and west, morning and late afternoon. The day belongs to the light, but the light is always relentlessly pursued by the shadow. The night is from the shadow, but the light invented, with every sense, a thousand ways to win the gloomy night. And in this war we live, inside this fight we do ​​our choices ...

 Jogos de luz e sombra





quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Henrique e a caravela - Henry and the caravel


Henrique nasceu a 4 de Março de 1394, quinto filho de João I de Portugal e de Filipa de Lencastre e neto de Pedro I de Portugal e de João de Gant. Henrique teve um sonho, e como disse Pessoa "Deus quer, o Homem sonha, a Obra nasce". E Henrique teve o sonho de engrandecer o seu País (e a si próprio, porque era humano) acrescentando-lhe as terras míticas que ficariam para lá das terras mouriscas do norte de África.

Quando morreu, em 1460, já tinha sido explorada a costa de África até ao que é hoje a Serra Leoa. Mas fora lançada a semente, que germinou e viria a florescer com a descoberta de outros mundos que vieram alargar o Mundo para o que é hoje. 

Henry was born on March 4, 1394, fifth son of John I of Portugal and Philippa of Lancaster and grandson of Peter I of Portugal and of John of Gaunt. Henry had a dream, and as Pessoa said "God wills, Man dreams, the Work is born." And Henry had the dream to aggrandize his country (and himself, because he was human) adding the mythical lands that would be beyond the Moorish lands of North Africa.

When he died in 1460, had already explored the coast of Africa to what is now Sierra Leone. But the seed had been launched, which would germinate and flourish with the discovery of other worlds to extend the world to what it is nowadays.



Como esta eram as caravelas, e esta é a estátua de Henrique, da autoria do escultor Leopoldo de Almeida. Ambas se encontram em Lagos, mas tomei a liberdade de mover o Infante, de modo a permitir-lhe observar pelo menos um dos seus amados navios:

Like this were the caravels, and this is the statue of Henry, by the sculptor Leopoldo de Almeida. Both are found in Lagos, but I took the liberty of moving the Prince, to allow him to watch at least one of his beloved ships:

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Cadeiras - Chairs


Cadeiras são abraços confortáveis, ofertas de descanso para um corpo cansado. Cadeiras são pacientes, esperam-nos sossegadamente, arrumadas e alinhadas, e não se queixam do uso excessivo. São parte integrante de festas, de actos desportivos ou religiosos. E não conhecem políticas - há-as de todas as cores - nem conhecem vaidades - oferecem as suas formas a todos os materiais.

Chairs are comfortable hugs, offerings of rest for a tired body. Chairs are patient, they expect us quietly, neat and aligned, and do not complain of excessive use. They are an integral part of parties, sporting or religious acts. And know not politics - they are all colors - or know vanities - offer their form to all materials.
 
Alinhadas até ao infinito...

Aligned to infinity ... 

Quem não gosta de uma cadeira que se destaca da multidão?
Who does not like a chair that stands out from the crowd? 
 
Em fila indiana, como numa procissão
In single file, as in a procession


Tomando o sol de Inverno, à espera do Verão
Taking the winter sun, waiting for the summer


Empilhadas, antes e depois da festa
Stacked before and after the party 


E claro, as mais desejadas - um lugar ao sol! 
Of course, the most desired - a place in the sun!

sábado, 22 de setembro de 2012

Outonal - Autumnal


Uma folha caída aqui mais umas quantas ali, pé ante pé, timidamente, é o Outono que se anuncia. Na verdade mais no calendário que na nossa realidade. É um Outono generoso, que ainda nos oferece bonitos dias para se gozar o prazer da praia e os saborosos frutos que dão perfume e cor às nossas refeições. Traz um pouco mais de vento é verdade, e o termómetro já não salta assustado para cima dos trinta e cinco graus, mas há um modo suave na Natureza. Como um adeus sem drama, sem pena nem dor, um adeus que é um até logo e uma promessa de retorno.

A fallen leaf here, plus a few more there, tiptoed, timidlyautumn presents itself. Actually more on the calendar than in our reality. Autumn is generous, and still gives us beautiful days to enjoy the beach pleasant time and the tasty fruits, that give fragrance and color to our meals. Indeed it brings also a bit of wind and the thermometer no longer jumps, scared, above the thirty-five degrees, but there is a gentle mood in Nature. As a goodbye without drama, without grief or pain, a goodbye that is a so long and a promise of return.

A primeira  
The first one 

Depois haverá muitas
Later there will be many 

E hão de dançar no vento...
And they'll dance in the wind...

Até restarem apenas umas quantas na árvore 
Until only a few remain on the tree

Cores de Outono
Autumn colors
 

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Pontes - Bridges



Pontes são ligações, traços-de-união entre seres e realidades. Mas pontes também podem ser braços estendidos em amor e paz, sonhos de noites de verão e viagens perdidas entre a vida e a imaginação. Pontes são muito mais que pontes, são viagens de esperança - talvez tudo melhore depois de se atravessar a próxima ponte...

Bridges are connections, traces-of-union between beings and realities. But bridges can also be extended arms in love and peace, dreams of summer nights and lost travels between life and imagination. Bridges are much more than bridges, are trips of hope - maybe it will improve after you cross the next bridge ...








quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Velhas casinhas - Old little houses


Velhas casinhas perdidas no meio dos campos, ruínas de vidas que o tempo esqueceu. Sonhos e ilusões, amores e desamores, tudo desapareceu transformado em musgo sobre as velhas pedras. Velhas casinhas onde o sentir atento ainda detecta os passos de antigos habitantes, mas onde os improvisados vasos de flores junto à porta já não são um alegre sinal de boas-vindas...

Old little houses lost in the middle of nowhere, ruins of lives that the time forgot. Dreams and illusions, loves and unloves, everything disappeared transformed into moss on the old stones. Old little houses where alert senses still detect the footsteps of former inhabitants, but where the makeshift flower pots near the door are no longer a cheerful welcoming sign ...





terça-feira, 18 de setembro de 2012

Lição de voo - Flight lesson


Eu quero voar e conhecer a Lua, a lua branca e terna dos poetas. Quero aprender a dominar o voo e elevar-me no céu, conhecer as correntes ascendentes e falar a linguagem das aves. Depois quero voar mais além, mais além da multidão e da solidão, flutuar no azul onde o sonho se faz e se desfaz e os pesadelos são apenas bolas de sabão.

I want to fly and meet the moon, the white and tender moon of the poets. I want to learn how to master the flight and raise me in the sky, to know the ascending currents and speak the language of birds. And after I want to fly higher upright, beyond the crowd and the solitude, floating in the blue where the dreams are made and fade away and the nightmares are only soap bubbles.






sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Linhas cruzadas - Criss-cross


Linhas cruzadas, pensamentos percorrendo o universo da imaginação. São linhas cruzadas, como encontros e desencontros, momentos que se fazem e se desfazem, ficam para trás e nunca mais podem ser alcançados. São as linhas cruzadas das nossas vidas, os nós que atamos e tentamos desatar, linhas cruzadas pela vida e pela morte, pelo destino e pela sorte...

Crossed lines, thoughts roaming the universe of imagination. Crossed lines, as matches and mismatches moments that happen and are lost, fall behind and may never be reached again. It is the criss-cross of our lives, knots that we tie and try to untie,  lines crossed by the life and the death, the destiny and the fate ...

Crossed by Nature:

To hold the Moon:

Under a burning sky:

Colors on the ground:

Upwards:

Thoughts of traveling:

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Um jardim no computador - outras flores humildes


Nascem sem ser semeadas, crescem sem ser regadas. São as humildes flores silvestres, que tantas vezes pisamos sem sequer as ver. E no entanto quanta beleza se descobre quando se olham mais de perto!
A beleza singela de um cravo silvestre, o perfume e a delicadeza da flor da murta, que já foi cognome de amante real, o encanto de todas essas pequenas flores que vestem de Primavera os nossos campos.



A garden in my computer - other humble flowers

Born without being sown, grow without being watered. They are the humble wildflowers, which one often treads without even seeing them. And yet what beauty is discovered when you look more closely!
The simple beauty of a wild carnation, the perfume and delicacy of the myrtle
flower, which has been nickname of a royal mistress, the charm of all these little flowers that paint our fields of spring.


 E para ouvir "Petite Fleur", numa versão tocada por Sándor Benkó e carregada no Youtube por kovezelt
And to listen "Petite Fleur" played by Sándor Benkó