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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Ainda o tempo - The time, yet


O tempo é um ladrão, que vem com falinhas mansas prometer-nos tudo e mais a eternidade, promessas vãs que inexoravelmente não cumpre. Tudo aquilo que ofereceu vai sendo roubado sem que demos por isso, e de repente descobrimos que lhe pertencemos. O tempo é o nosso dono e nós somos apenas os seus escravos, fantasmas das esperanças e ilusões que nasceram, viveram e finalmente morreram nos corações agora vazios...

The time is a thief, that comes with smoothie talks to promise us everything plus the eternity, empty promises that inevitably fail. Everything that was offered is being stolen without one even notice, and suddenly you find that you belong to time. Time is our master and we are only their slaves, ghosts of the hopes and illusions that were born, lived and finally died in the now empty hearts...






sábado, 20 de outubro de 2012

As folhas de Outono - Autumn leaves



As folhas de Outono são sonhos já sonhados e descartados. E por ali ficam ao abandono, admiradas durante alguns segundos e esquecidas, como os sonhos que apenas se sonharam e nunca se realizaram. Morrem as folhas como morrem os sonhos, porque é preciso abrir espaço para novas folhas e novos sonhos, e a Natureza tudo renova para que tudo se mantenha igual, tal qual como a Humanidade, que por mais que se renove continuará sempre a viver os mesmos sonhos e sofrerá pelos mesmos defeitos e pelas mesmas qualidades, exactamente como as novas folhas que hão-de nascer na próxima Primavera, felizes na ignorância de que o Outono não tardará e que também elas virão a ser "Folhas de Outono"... 

The Autumn leaves are like already dreamed and discarded dreams. And there they shall be abandoned, admired for a few seconds and forgotten like the dreams we just dreamed and never realized. Die the leaves like dreams die, because space is needed to open for new leaves and for new dreams, and Nature renews everything, so that everything remains the same. Exactly as Mankind, that however will always be renewed, will always live the same dreams and will suffer for the same flaws and the same qualities, just as the new leaves will grow next spring, in happy ignorance that autumn will soon be there and that they too will become "Autumn Leaves" ...






quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Mérida - A Espanha aqui a dois passos


Mérida - the Spain here so close

Mérida é uma cidade mágica onde em cada rua, a cada passo, nos encontramos com as memórias das Nações que ali viveram e sentimos os seus fantasmas, que vagueiam, solitários ou em grupos compactos, esquecidos dos sonhos que os conduziram e das lutas que travaram, lembrando-se apenas da surpresa final do encontro com esse outro mundo, onde tudo é real e nada é real, dependendo apenas do sentimento de quem sente.
Quase se pode viver o espanto nos seus olhos quando se passeiam no agora árido espaço do hipódromo e o medo dos gladiadores, que no circo serviram com as suas vidas para distrair o povo das diárias misérias.
Mas dois lugares há onde a magia consegue ser ainda mais sensível - no teatro, onde eternamente os fantasmas dos actores representam um drama sem espectadores, e a cisterna, cavada no coração do castelo mouro, escura e silenciosa como a própria magia, onde a poesia se transforma em paz e a luz amadurece nos olhos encantados de quem desce e não se cansa de respirar a atmosfera fresca e suave...

Merida is a magical city where in every street, at every step, we find ourselves with the memories of the nations that lived there and feel their ghosts, wandering, solitary or in compact groups, forgotten of their dreams and the fights they waged, remembering only the final surprise of the encounter with that other world, where everything is real and nothing is real, just depending on the feelings of who feels.

One can almost live the astonishment in their eyes, when they walk through
the now arid area of the racecourse, and the fear of the gladiators, who served in the circus, with their lives, to distract the people from their daily miseries.

But there are two places where magic can be even more sensitive - in the theater, where the ghosts of the actors ever represent a drama without spectators, and the cistern, dug in the heart of the Moorish castle, dark and silent as the magic itself, where poetry is transformed into peace and the light matures in the enchanted eyes of those who go down there and do not get tired of breathing the fresh and soft
atmosphere...







quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O cinzento - The gray



O cinzento lá fora escurece-me a alma e uma muralha ergue-se até ao infinito. O vento, que também é cinzento, varre os jardins e varre também as minhas ilusões para lá do escuro, em busca do sol e da luz. O mesmo vento que rouba as folhas das árvores nos jardins, expondo a sua nudez e fragilidade.
O cinzento dos dias é envolvente. Ninguém lá fora se reconhece e as gaivotas esquecem-se de que lado fica o mar e voam para terra em busca de abrigo na solidão das árvores. Cinzento indefinido, nem preto nem branco, nem luz nem escuridão, apenas sombra que sombriamente se reproduz, na Natureza e nos corações...

The gray outside darkens my soul and a wall rises to infinity. The wind that is also gray sweeps the gardens, and sweeps also my illusions to beyond the darkness, in a quest for the sun and the light, the same wind that steals the leaves of the trees in the gardens, exposing her nakedness and fragility.
The gray of the days is surrounding.  No one out there recognizes themselves and each others, and the seagulls forget which side is the sea and fly to land, looking for shelter in the solitude of the trees. Undefined gray, neither black nor white, neither light nor darkness, only shadows that darkly reproduce, in Nature and in the hearts ...






 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Fotopoema 55 - Photopoem 55




We have the power of the silence
in the war of the words
and we can win

We have the strength of certainty
in the war of silences
and we can win

We have the strength of the reason
and the right of the life
and we can win

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Cigarras, formigas e outros insectos



Cigarras e formigas, insectos da moda! Criticam-se as cigarras, fala-se mal das formigas, como se fosse possível mudar-se a natureza com que cada um nasce... Quando na verdade todos fazem falta, para que a canção da vida e dos campos vibre afinada e feliz.
Mas mais grave ainda, por vezes trocam-se as designações - chama-se formigas às cigarras e cigarras às formigas. E isso é o mais grave, porque subverte completamente as leis da Natureza e da gramática!
E afinal existem tantos outros insectos além das cigarras e das formigas... como por exemplo as moscas - que poisam em toda a porcaria e estão sempre a mudar - as moscas, porque a porcaria é sempre a mesma!


Cicadas and ants, fashion insects! Some criticize up the cicadas, speak evil of ants, as if one could change the nature with which each is born ... When in fact all they are necessary, so the song of life in the fields vibrate happy and tuned.
But even worse, sometimes they swap the designations - call ants to cicadas and cicadas to ants. And this is the most serious, because it completely subverts the laws of Nature and grammar!
And after all there are so many other insects besides the cicadas and ants ... such as flies - that land in all the crap and are always changing - the flies, because the crap is always the same!


A cigarra - The cicada

As formigas - The ants


A mosca - The flie

E tantos outros... And so many others...











sábado, 6 de outubro de 2012

Dia das borboletas - Butterflies' day


Leves e coloridas nas suas deambulações de flor em flor, também elas são símbolos de renovação, da Primavera e da beleza. Na leveza do seu voo parecem flutuar na brisa matinal, hesitantes, não sabendo qual o sabor a escolher de entre o banquete de cores e aromas que a Natureza lhes serve.  Jóias dotadas de vontade própria, que tanto adornam a luxuosa rosa como o mais humilde cardo, o alecrim ou as flores da macieira...

Light and colorful in their wanderings from flower to flower, they are also symbols of renewal, spring and beauty. In the lightness of their flight they seem to float in the morning breeze, hesitant, not knowing what flavor to choose from the feast of colors and flavors that nature serves them. Jewelry endowed with free will, so that adorn the luxurious rose as the most humble thistle, rosemary or the apple tree flowers...



 



terça-feira, 2 de outubro de 2012

O pão nosso de cada dia - Our daily bread



O pão nosso de cada dia, por ele vivemos e fazemos da nossa vida uma luta diária. O pão que é tudo e não apenas pão...  O pão de cada dia que também é amor, paz e esperança, a fé que nos ilumina e uma luz que se mantém acesa e nos aquece as casas e os corações.

Our daily bread, by it we live and for it we do of our life a daily struggle. The bread that is not just bread but everything ... The daily bread that is also love, peace and hope, the faith that enlightens the soul and a candle that stays on, and heats the homes and the human hearts.