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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Livro de Viagens - Book of Travels



Somos viajantes na perseguição de um sonho. De mãos dadas vamos nesta busca sem fim de algo  que nem sabemos bem o que é. Mas sabemos que temos de ir, não importam as rotas nem os bandidos, a umas vencemos, a outros morremos quantas mortes sejam necessárias para se alcançar o inalcançável, para se sustentar o insustentável, por este sonho de ir sempre mais além, mais além deste monte, mais além deste mar, mais além do próprio sonho. 
Viajantes somos, nosso rumo é variável, pode ser o Norte, pode ser o Leste, o Sul ou o Oeste. Mas nunca chegaremos ao nosso destino, porque quando parece termos encontrado o caminho certo sai de dentro de nós este grito interior - Não, há que ir mais além!

Travelers we are, in pursuit of a dream. Hand in hand going on this endless quest of something that not quite know what it is. But we know we have to go, no matter what the route or the bandits, the one we won, by the others we die how many deaths are needed to reach the unreachable, to sustain the unsustainable, for this dream of going ever further, beyond this hill, beyond this sea, beyond the dream itself.
Travelers
we are, our way is variable, may be the North, may be the East, the South or the West. But we'll never get to our destination, because when we seem to have found the right way it comes from inside of us this heartfelt cry - No, we must go beyond!











quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Ser solitário - To be a loner


Ser solitário é abraçar a vida de uma forma diferente. É abraçá-la com a certeza de que o riso e as lágrimas nos pertencem - e a nós apenas.  Podemos por vezes partilhá-los, mas ninguém conseguirá entrar no nosso coração a não ser que a mente nos dê o seu consentimento. Talvez tal não pareça, mas ser solitário enriquece o pensamento e os sentimentos, como uma terceira visão que lhe permite ver dentro de si próprio, para o bem e para o mal...
Um solitário estará sempre e nunca sozinho, porque está consigo próprio, ainda que no meio de uma multidão, mas sentir-se-á bem assim, porque o solitário sempre encontrará a sua companhia dentro de si próprio.

Being a loner is embracing life in a different way. You embrace it with the certainty that your laugh and tears belong to you - and only to you. Sometimes you share them, but no one can enter into your heart unless your mind will give its permission. Maybe it does not look like, but to be a loner enriches your thinking and your sentiments, as if a third vision would let you see within yourself, for the good or for the bad ...
A loner is always and never alone, because he is with himself, even in a crowd, but he'll feel good as well, because the loner always finds his company within himself.









domingo, 25 de novembro de 2012

Fotopoema 59 - Gosto de ver barcos no nevoeiro







I like to see boats in the mist
when the morning blends with the afternoon
and the waters fall asleep

I like to see boats in the mist
arrivals of ghosts
that may be departures

I like to see boats in the mist
with gulls amoung the sails
and the voices of their despair

I like to see boats in the mist
because I am the mist


sábado, 17 de novembro de 2012

Um jardim no computador V - A garden in my computer V


O meu computador tem lá dentro um jardim, onde as flores florescem durante o ano inteiro. Não importa que seja Inverno, Verão ou Primavera, elas aí estão, para me alegrar o olhar quando os dias lá fora - e às vezes também dentro de mim - são frios e cinzentos. Algumas são daquelas flores que todos conhecemos pelo nome, embora muitas vezes nos falhe o "sobrenome" - uma rosa é sempre uma rosa, não importa se o seu nome completo é rosa chá ou rosa "lady qualquer coisa". O mesmo com os cravos, hortensias, cactos...
Os girassóis vivem às vezes solitários em jardins, mas muitas vezes crescem em grandes bandos, nas campinas que alegram com as suas cores vibrantes - e onde as suas sementes terminam em fábricas, para serem transformadas em óleo. Enfim, destinos... 

Mas nada disso interessa agora. No meu computador as flores são todas irmãs entre si e minhas irmãs também. O último girassol ainda florido no Alentejo, uma hortensia que brilha com luz própria, um cacto vermelho que todos os anos faz vibrar com a alegria das sua flores um canto da minha varanda. Um lisianto cor-de-rosa, que apetece comer, de tanto que faz lembrar uma taça de creme, e um ramo de uma espécie de cacto cujo nome ignoro mas cuja beleza não deixo de amar por não lhe saber dar um nome.


Inside my computer there is a garden, where the flowers bloom all year round. No matter if it is winter, spring or summer, they are there to cheer me up when the days outside - and sometimes inside me - look cold and gray. Some flowers are those which we all know by name, though we often fail their "surname" - always a rose is a rose, no matter if its full name is yellow tea rose or "lady anything" rose. Same with carnations, hydrangeas, cacti ...
Sunflowers live
sometimes lonely in gardens, but often they grow in large flocks, in the plains that rejoice with their vibrant colors - and where their seeds end up in factories for processing into oil. Anyway, fates ...
But none of that matters now. On my computer the flowers are all sisters together and my sisters too. The last sunflower still blooming in Alentejo, a hydrangea that shines with its own light, a red cactus that every year makes vibrating, with the joy of its flowers, one corner of my porch. A 
pink lisianthus, which feel like eating, so reminiscent it is of a bowl of cream, and a bunch of a species of cactus which name I ignore, but for their beauty I still love, no matter to know not its name.








terça-feira, 13 de novembro de 2012

Histórias de uma menina aventureira - Stories of an adventurous little girl


Esta menina vive comigo há longos anos. Eu cuido dela e ela cuida de mim, temos uma relação verdadeiramente inseparável. Mas ela é tão aventureira! Tão amiga de se meter em sarilhos dos quais depois não sabe como sair... E tem uma imaginação tão poderosa que o que ela imagina se realiza - e lá tenho eu de intervir, de gentilmente lhe dizer, e fazê-la compreender, que deve ter muito cuidado, que na vida é necessária segurança e não podemos aventurar-nos assim, em sítios perigosos ou em planetas imaginários.

Muitas vezes tenho de a proteger de animais perigosos, porque a ela todos parecem inofensivos e desejosos apenas de serem bem tratados e respeitados pelos humanos. Enfim, não têm conta as vezes em que tenho de correr para salvar esta menina, que ficou na vida uma eterna criança, das mais difíceis situações...

This girl lives with me for many years. I take care of her and she takes care of me, we have a truly inseparable relationship. But she's so adventurous! So apt to getting into troubles from which then she doesn't know how to get out ... And she has a powerful imagination, as what she imagines will take place - and I have to be there to intervene, kindly tell her, and make her realize, that she should be more careful, that in life security is necessary and she can't venture so much, in dangerous places or imaginary planets.

Many times I have to protect her from dangerous animals, because to her they all seem harmless and only desirous of being well treated and respected by the humans. Anyway, are  countless the times I have to run to save this girl, who lives in an eternal childhood, of the most difficult situations ...


Sozinha na tempestade
Alone in the tempest
 

Na floresta encantada
 In the enchanted forest

No depósito de Gas
On the Gas tank

Imaginou uma escada para a Lua, e subiu-a!
Imagined a stairway to the Moon, and climbed it!

Perdida no planeta dos Gatos
Lost in the cats' Planet

E quando apareceu um rinoceronte no parque em frente da casa, lá estava ela!
And when a rhino came from nowhere to the park, there she was!

domingo, 11 de novembro de 2012

Natureza verde - Green Nature



A Natureza verde é frágil, quaisquer mãos de criança a rompem. E no entanto sabe resistir. Resistir o gelo, ao fogo - até consegue resistir ao homem. Mas por quanto tempo mais? Se tudo no Planeta tem um fim programado, do petróleo à água, passando pela floresta e, claro, pela Humanidade, conseguirá o verde sobreviver para que mais outra civilização consiga crescer e florescer até novamente se auto destruir?

The Green Nature is fragile, any child's hands can break it. And yet it knows how to resist. It resists to the ice, the fire - until can resist to Man. But for how much longer? If everything on the planet has a scheduled end, from the oil to the water, including the forest and, of course, the Mankind, will the green be able to survive, so another, better, civilization can grow and flourish - until they reach to again self destruct?







terça-feira, 6 de novembro de 2012

Os "amarelos" da Carris - The yelow trams


Os "amarelos" da Carris, que por vezes são encarnados, têm um encanto mágico, no modo antigo como nos transportam silenciosamente, colinas acima e colinas abaixo. Não poluem a atmosfera e as suas cores chamativas - amarelo ou vermelho - alegram as ruas da cidade de Lisboa.
Os seus passageiros são de duas qualidades, os do dia-a-dia, que todos se conhecem e trocam conversas e amizades durante as viagens, umas mais rápidas e outras mais lentas, e os turistas, que pouco tempo perdem em conversas, as suas mentes ocupadas na apreciação, mais favorável ou mais crítica, da sua visão da cidade, quer seja das estreitas ruas que sobem e descem colinas em curvas e contra-curvas, quer seja da linha paralela ao rio, onde a modernidade vai criando algumas diferenças.

The "yellows" (streetcars) of the Carris, which sometimes are red, have a magic enchantment, in the ancient way as they silently transport us up-the-hills and down-the-hills. They don't pollute the atmosphere and with their bright colors - yellow and red - they cheer up the streets of the city of Lisbon.
His passengers are of two kinds, those who daily travel the same line, and they all know each others and exchange conversations and friendships during the travels, some shorter and some larger, and the tourists, who little time  loose in conversations, his minds occupied with the appreciation, more favorable or more critical, of his vision of the city, whether it is the narrow streets that climb and go down the hills, in curves and counter-curves, or the line parallel to the river, where the modernity is creating some differences over the ancient look along the hills.


And to listen  O amarelo da Carris by Carlos do Carmo.








domingo, 4 de novembro de 2012

Dia de todos os santos - All saints day



Neste dia, nesta noite especial em que se diz que os espíritos dos santos, e dos outros também, voltam e vagueiam silenciosos, em procissões de almas esquecidas que buscam os seus corpos há muito desaparecidos, neste dia as luzes de velas e candeias estarão lá, para lhes mostrarem o caminho de volta, para que se convençam a regressar ao mundo dos sonhos que é agora o seu mundo, esse etéreo domínio que a eles pertence, deixando em paz os corações daqueles que ficaram, que sofreram a dor da separação e que na oferta de flores reavivam e procuram acalmar a saudade e tantas vezes a solidão...  

On this day, in this special night in which it is said that the spirits of the saints, and also of the others, return and silently wander, in processions of forgotten souls that look for their bodies, lost long ago, on this day the lights of candles and lamps will be there, to show them their way back, so they will be convinced to go back to the world of the dreams, that is now their world, this ethereal domain that belongs to them, leaving in peace the hearts of those who remained, who suffered the grief of the separation and now, with the flowers offering, they revive their nostalgia and longing, and so many times their loneliness...