Translate

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

O sonho




 

At the beginning of the time
(when God was a child)
born in the Man's heart
this eagerness for dreaming

And the dream continued!





quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

A juventude





A juventude é um fruto
que vai amadurecendo
sumarento e doce

A juventude deve ser bebida
devagar
para durar até ao Outono
e aquecer o Inverno

Youth is a fruit
that matures
sweet
and juicy

Youth must be slowly
drunk
to last until Autumn
and heating the Winter






sábado, 22 de dezembro de 2012

Feliz Natal






:-) A ti, desconhecido(a) que abriste esta página deste blog, quero desejar um Feliz Natal, com amor, carinho, saúde e muita felicidade.
M.Salvador

To you, stranger who just opened this page of this blog, I want to wish a Merry Christmas, with love, health and much happiness.
M.Salvador

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Dezembro - December


Dias escuros de nevoeiro, chuva, algum frio e vento. Já abriram e fecharam as feiras de Outono e já se ouviu o som das flautas dos amola-tesouras, é o nosso Inverno. E é o nosso Natal, se não for antes o fim do mundo - que em Portugal parece ter sido cancelado por falta de fundos. 
Com maiores ou menores dificuldades, uns ainda à vontade e outros já escolhendo pelo mais baratinho, enquanto outros já mal têm para comer, as pessoas esforçam-se por ir comprando umas lembranças para oferecer à família e amigos mais chegados. É o espírito comercial do Natal...
E no meio disto tudo - que saudades da Primavera!

Dark days of fog, rain, some cold and wind. It has already been heard the sound of the scissors sharpeners' flutes, it is our winter. And it is our Christmas, if the World doesn't end before - event that in Portugal seems to have been canceled for lack of funds.
With greater or lesser difficulties, some still at ease and others by choosing the cheapest, while still others barely have to eat, people strive to go shopping for some gifts to family and close friends. It is the commercial spirit of Christmas ...
And in all of this - what nostalgia for the spring!



 



 


domingo, 9 de dezembro de 2012

Um jardim no computador - Outras flores humildes II


Mais flores do meu jardim. Aquele jardim que a Natureza criou sozinha e espalhou pelos campos, para que eu as pudesse capturar com a minha câmara e guardar no computador, Assim é Primavera no meu computador sempre que eu quiser!
Algumas destas flores nascem nas planícies, tão juntas que formam o mais belo tapete. Outras são mais exclusivistas e preferem crescer isoladas nas colinas, onde fazem parte da maravilhosa vista em seu redor. Outras ainda são o vestido de Primavera das árvores de fruto. Transformar-se-ão em maçãs, peras, cerejas, amêndoas e tantos outros frutos deliciosos. Mas no meu computador são apenas, e luxuosamente, flores humildes em toda a sua beleza e glória.

A Garden in my computer - other humble flowers II
More flowers from my garden. The garden that Nature herself created and spread out through the fields, so that I could capture with my camera and save them to my computer, allowing Spring in my computer whenever I want!

Some of these flowers are born in the plains, so close together that they form the most beautiful carpet. Others are more exclusive and prefer to grow up isolated on the hills, where they are part of the wonderful views around them. Others yet are the Spring dress of fruit trees. Those will transform on apples, pears, cherries, almonds and many other delicious fruits. But on my computer they are just, and luxuriously, humble flowers in all its beauty and glory.









quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Dias de histórias - Tales' days



Ah estes dias cinzentos e escuros, quando o céu troveja e a imaginação ou desce abaixo de zero ou, pelo contrário, sobe descontrolada para as altas zonas da criatividade... Imaginam-se histórias e pintam-se imagens surreais, permite-se que o irreal irrompa através do escuro de um céu carregado que nos pesa e nos deprime. 
Esta é a história de três irmãs gêmeas, que em devido tempo ficaram noivas de três irmãos, também eles gêmeos. Mas quis o mau destino que eles fossem chamados a combater numa guerra e lá ficassem os três, sepultados em terra inimiga. As três infelizes irmãs desistiram para sempre da felicidade, fecharam-se em sua casa, no silêncio do seu desgosto, e num único gesto de revolta penduraram do lado de fora das janelas cerradas os seus vestidos de noiva, que ainda hoje lá estão, batidos pela chuva e pelos ventos, a lembrar ao mundo que ali vivem três mulheres a quem foi roubada a felicidade por uma guerra estúpida, como são sempre todas as guerras...

Ah these dark gray days, when the sky thunders and the imagination either falls below zero or, conversely, uncontrolled rises to the high creativity areas... Then one imagines tales and paints up surreal images, allowing the unreal to erupt through the dark of an overcast sky that weighs and depresses everything in the real life.
This is the story of three twin sisters, who in due time were brides with three brothers, also
they twins. But wanted the bad fates that they were summoned to fight a war and were left there all the three, buried in enemy land. The three unhappy sisters gave up of happiness forever, locked themselves in their home, in the silence of his grief, and in a single gesture of rebellion hung outside the closed windows their wedding dresses, which are still there today, beaten by rain and winds, to remind the world that in there live three women, who were stolen their happiness by a stupid war, as all wars are always ...



quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Moinhos de Maré - Tide Mills


O moinho de maré está firmemente associado à minha infância. O meu avô era moleiro de um moinho de maré e para nós - as suas netas mais novas - era um sítio onde se brincava, quer escondendo-nos entre as sacas de trigo e de farinha quer saltando sobre elas. Às vezes as sacas continham cevada, e então nós ficávamos com as pernas e os braços cheios de babas e de comichão, que as nossas mães tratavam com banhos de vinagre.

Mas nas horas em que o moinho moía não havia brincadeiras, era tempo sério, em que o avô e o tio tratavam de controlar as mós e a qualidade da farinha, sempre acompanhados pelo ritmo das pedras a cantarem uma sobre a outra. Não havia horas certas de sono para o moleiro, sempre atento às subidas e descidas das marés, para abrir e fechar as comportas. E quando as marés eram de "águas vivas" subiam por vezes até inundar o moinho, mas quando eram os tempos das "águas mortas" mal devam para encher a caldeira. 

O pagamento do trabalho do moleiro era geralmente feito em farinha, a chamada maquía,  que depois era vendida, mas não antes de o moleiro escolher a porção e qualidade que seria mais adequada para consumo próprio. E posso garantir que nunca mais comi pão tão bom e tão saboroso como o que a minha avó amassava com essa farinha...

São doces memórias, onde o cheiro a maresia da Ria Formosa se confunde com o cheiro da farinha acabada de moer. Estas não são fotos do moinho do meu avô, esse já desapareceu há muito. A primeira é do moinho de Corroios, que se diz ter pertencido a D.Nuno Álvares Pereira, e as restantes são do moinho de Marim, ambos conservados para fins educacionais e turísticos.

The tide mill is firmly associated with my childhood. My grandfather was a miller of a tide mill and for us - his youngest granddaughters - it was a place where we played, either hiding in between the sacks of wheat and flour either by jumping over them. Sometimes the bags contained barley, and then we'd get reddish and itchy legs and arms, that our mothers treated with vinegar baths.
  But the times while the mill was grinding were no times to play, it was serious time, when the grandfather and uncle had to control the grinding stones and flour quality, always accompanied by the rhythm of the singing stones on each other. There were no regular sleeping hours for the miller, always attentive to the rise and fall of the tides, to open and close the gates. And when it was the time of Spring tides sometimes the water rose too much and might flood the mill, but when were the times of ebb tides it barely would fill the dam.
The payment for the miller's work was usually made by flour, a fee which later was sold, but not before the miller choosing the portion and quality that would be most appropriate for their own consumption. And I assure you that never ate so good and so tasty bread like the one my grandmother kneaded with that flour ...
These are sweet memories, where the smell of the Ria Formosa salty air merges with the smell of freshly milled flour. These are not photos of my grandfather's mill, that has long ago disappeared. The first one is the Corroios mill, said to have belonged to D.Nuno Álvares Pereira, and the remaining are of the Marim mill, both preserved for educational and tourism aim.









Alguma informação complementar, proveniente da Wikipedia:  Um moinho de maré é um tipo de moinho movido pelo movimento da água, causado pelo desnível das marés nos estuários de rios. A evolução tecnológica tornou estes engenhos obsoletos, pelo que a sua actividade foi encerrada há muitos anos. Porém, alguns deles em Portugal, podem ainda ser visitados, principalmente na margem sul do estuário do Tejo.Os moinhos de maré eram formados por uma caldeira que se enchia de água, através de uma porta de água (adufa), quando a maré enchia, fechando-se em seguida, até à descida das águas, e por uma construção onde se situavam diversas moendas (pares de mós) que se destinavam ao fabrico de farinha. Quando a maré vazava, abriam-se passagens para a saída das águas que faziam mover um número variável de moendas (normalmente entre três e dez).[1] 

Any additional information, from Wikipedia:  A tide mill is a type of mill powered by water movement caused by the unevenness of the tides in the estuaries of rivers. Technological progress has made these devices obsolete, so its activity was closed many years ago. However, some in Portugal, can still be visited, particularly on the southern estuary Tejo. The tide mills were formed by a dam that was filled with water through a tide gate, open when the tide rose, closing then to descent of the water, and a construction where several mills were located (pairs of grinding wheels) intended for the manufacture of flour. When the tide leaked, opening up the outlet passages for water that did move a variable number of mills (typically three to ten). [1]

 

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Faro


Faro é a minha cidade, onde estudei e passei os felizes anos da primeira juventude. Aqui deixo algumas imagens, como que o destapar de um frasco de perfume, esse perfume doce que sempre têm as memórias dos dias despreocupados que há muito se foram...

Faro is my town, where I studied and where I spent the happy years of my first  youth. Here I leave some images, as if the uncovering of a perfume bottle, the sweet scent that always have the memories of those carefree days that are long gone ...



A Sé entre as laranjeiras, que primeiro enchem o Largo com o perfume das suas flores e depois o alegram com a cor dos seus frutos.
The Cathedral among the orange trees that first fill the Square with the perfume of their flowers and then rejoice with the color of their fruits.


O Museu da Sé
The Cathedral's Museum


 O Coreto do jardim
The garden's Bandstand


 As antigas casas a precisarem agora de urgente reciclagem
The old houses in need now of urgent recycling


Onde felizes cãezinhos ainda são passeados de fato completo
Where happy puppies are still walked wearing a full suit


A feira de Santa Iria, que todos os anos em Outubro se arma e se desarma
The fair of Santa Iria, set and unset, every year in October


E agora há um comboiozinho, para passear turistas e nacionais através da cidade
And now there is a little urban train, to stroll tourists and nationals through the town
 

domingo, 2 de dezembro de 2012

Uma rosa para o pequeno-almoço - A rose for the breakfast


Uma rosa para o pequeno-almoço... e por que não? Se temos o dever e a obrigação premente de alimentar as exigências deste corpo finito, porque não alimentar de poesia a nossa alma, que até dizem ser imortal? Esta alma que nos faz sonhar, que nos anima e às vezes nos desanima, mas que nos impele nesta caminhada que é a vida, tantas vezes por caminhos tão ásperos, tão cheios de rasteiras?
Uma rosa para o pequeno-almoço da alma e um livro como sobremesa. Sejamos mãos-largas e façamos um banquete com os sonetos de Camões, depois de saborear a terna beleza de uma rosa, esquecidos os espinhos que alguém, generosamente, já eliminou. Ou mesmo com os espinhos, para que uma pequena gota de sangue possa selar este compromisso com a poesia e a beleza...

One rose for breakfast ... and why not? If we have the duty and the obligation of feeding the imperative demands of this finite body, why not feed with poetry our soul, which even is claimed to be immortal? This soul that makes us dream, that animates and sometimes discourages us, but that pushes us in this journey that is life, often through paths so harsh, so full of traps?
A rose for breakfast and a book
as dessert for the soul. Let us be open-handed and make a feast with the sonnets of Camoens, after savoring the tender beauty of a rose, forgotten the thorns that someone, generously, already eliminated. Or even with thorns, so that a small drop of blood can seal this commitment to poetry and beauty ...