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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Azuis - Blues


As flores do meu jardim ficaram azuis, da cor da noite e do silêncio, e os mortos povoam os meus sonhos em procissões infinitas.
Um oceano de imagens fui e faz transbordar os rios que nele nascem, um jogo de memórias onde a vida é virtual.
As flores do meu jardim ficaram azuis e o mundo ficou azul, como o fogo e as ilusões.

The flowers in my garden turned blue, the color of the night and the silence, and the dead populate my dreams in endless processions.
An ocean of images flows and overflows
the rivers rising from it, a game of memories where life is virtual.
The flowers in my garden turned blue and the world turned blue, like fire and illusions.










segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Tempo vagabundo - Wandering time



O Tempo é na realidade a medida para todas as coisas. O tempo de um suspiro, o tempo de uma vida...
O mesmo tempo que passa lentamente na juventude, desliza vertiginoso anos mais tarde. O tempo que muda as cores da Natureza, amadurece os frutos e seca as sementes é outro, mas é também o mesmo tempo que tudo cura, tudo dá e tudo acaba por tirar. 
Tentamos medir e domesticar esse tempo, vagabundo inexorável, mas ele é demasiado fugidio. Há minutos que duram séculos e horas que desaparecem numa vertigem. Há o tempo de esperar, tão longo, e o tempo de partir, tão curto, que nos escapa por  entre os dedos como areia numa ampulheta.
Tempo de esperança, tempo de amar e de nascer, de morrer e de renascer, há sempre uma multidão de tempos em cada vida.

Time is actually the measure of all things. The length of a sigh, the time of a lifetime ...
The same time that passes slowly in youth, slides vertiginous years later. Time that changes the colors of Nature, ripens the fruits and dries the seeds is another, but it is also the same time that heals, gives everything and everything ends up taking.
We try to measure and tame this time, inexorable vagabond, but it is too elusive. There are minutes that last for centuries and hours that vanish in a vertigo. There is the time to wait, so long, and the time to leave, so short, that escapes us through our fingers, like sand in an hourglass.
Time for hope, for love, and time to be born, to die and be reborn, there is always a multitude of times in every life.










sábado, 26 de janeiro de 2013

Penas brancas - White feathers



O Lago dos Cisnes, a belíssima música de Tchaikovsky, conta-nos a história de amor do príncipe Siegfried pela princesa Odette, que junto com as suas aias foi encantada e transformada em cisne pelo malvado feiticeiro Rothbart. Os cisnes vivem num lago próximo do castelo do príncipe, e apenas à noite lhes é permitido voltarem à sua forma humana. A história termina dramàticamente com a morte de Siegfried e de Odette. Uma história bela e triste, onde ninguém ganha, nem o feiticeiro, que acaba por perder todo o seu poder. Como afinal tantas vezes acontece na vida real...
Mas os meus cisnes não são princesas encantadas. São apenas belas e graciosas aves que nos encantam com a sua beleza e a forma serena como deslizam sobre as águas do lago. Penas brancas são as destas aves, cisnes, gansos, patos, gaivotas, habituadas à presença humana e que comem da mão de quem as trata bem.

Swan Lake, the beautiful music of Tchaikovsky, tells the love story of Prince Siegfried for the princess Odette, who along with her ​​handmaidens had been enchanted and transformed into a swan by the evil sorcerer Rothbart. The swans live in a lake near the castle of the prince, and can only attain their human form at night. The story ends dramatically, with the death of Siegfried and Odette. A beautiful and sad story, where nobody wins, not even the sorcerer, who ends up losing all his power. As so often happens in real life stories...
But my swans are not enchanted princesses. They are just beautiful and graceful birds, that charm us with their beauty and the serene way they calmly glide over the waters of the lake. White feathers are these birds, swans, geese, ducks, gulls, accustomed to the human presence and eating from the hand of those who treat them well.











sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O Poema - The Poem



                                                             
                                                                 It begins as
                                                                 a play on words
                                                                 then comes to life
                                                                 becomes poem

                                                                 Being poem
                                                                 the words become
                                                                 flesh and blood
                                                                 bones and spirit

                                                                 It started as
                                                                 a play on words
                                                                 and now came to life
                                                                 became poem

                                                                And so it will be

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O silêncio e o som - The silence and the sound




                            
                        A guerra do silêncio no absurdo do som
             O absurdo da guerra no som do silêncio 
             O silêncio do absurdo no som da guerra  
             O absurdo da guerra na luta da vida 
             A luta do silêncio no absurdo da vida


                          The war of the silence in the absurd of the sound
                          The absurd of the war in the sound of the silence
                          The silence of the absurd in the sound of the war
                          The absurd of the war in the struggle for life
                          The struggle of the silence in the absurdity of the life
 





 

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

A Gota de Água - The Water Drop


A gota de água é o pouco e o demasiado. Diz-se: "Isso é uma gota de água num oceano" mas também se diz "Foi a gota de água que fez transbordar a taça". 
Dizemos de certas pessoas "Iguais como duas gotas de água", o que não é verdade, porque duas gotas de água podem ser bem diferentes, consoante estejam num oceano, num rio, numa nuvem ou domesticadas numa torneira.
A gota de água é um mágico espelho oferecido pela Natureza, a tela onde a luz pinta a beleza do arco-íris.
Uma gota de água mata-nos a sede, lava-nos o corpo e a alma, encanta-nos os sentidos.
Uma gota de água é o milagre da vida.

A drop of water is the very little and the too much. It is said: "This is a drop in the ocean" but also is also said "It was the drop of water that overflowed the glass."
We say of certain people "Similar like two drops of water," which is not true, because two drops of water can be very different, depending on whether they are in an ocean, a river, a cloud or a domesticated tap.
A drop of water is a magical mirror offered by Nature, the canvas where the light paints the beauty of the rainbow.
A drop of water quenches our thirst, washes body and soul, delights our senses.
A drop of water is the miracle of life.












segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Vermelho natural - Natural red



Vermelho é a cor do sangue e da paixão, a cor que a Natureza prefere para acentuar a força e a beleza, bem como o potencial perigo, das suas criações.
Vermelha é tantas vezes a terra mais fértil, e vermelhos são tantos dos frutos e das flores que nos deliciam os sentidos.
E quem não se quedou alguma vez extasiado perante as tonalidades vermelhas particularmente vívidas de um nascer ou pôr-do-sol?!
Vermelho é a mais antiga cor sagrada da Humanidade, que já em tempos pré-históricos usava o ocre vermelho para encaminhar os mortos para o assustador mundo dos espíritos, e ainda hoje simboliza e alimenta tantas das paixões que moram nos corações das gentes.
Mas simbolismos e significados serão tema para qualquer outro post. Este pretende apenas, humildemente, homenagear o puro vermelho natural que a Natureza generosamente nos oferece.

Red is the color of the blood and the passion, the color that Nature prefers to accentuate the strength and beauty, as well as the potential danger, of its creations.
Red is often the most fertile land, and red are so many fruits and flowers that make
our senses delight.
And who does not ever
became entranced enjoying the particularly vivid red hues of a sunrise or sunset?!
Red is the oldest sacred color of Humanity, that already in prehistoric times wore red ocher to send the dead to the scary world of spirits, and today symbolizes and nurtures so many passions that grow in the hearts of the people.
But symbolism and meanings will be the subject to any other post. This one is only intended to humbly honor the pure natural red that nature generously offers us.









quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O Livro do Tempo III - The book of the time III




Fazemos do tempo a esperança e o desespero
fazemos da esperança a antecipação do tempo
e do desespero a fuga

Fazemos o tempo estagnado, louco, vazio
ou cheio de vida

Fazemos do tempo uma perseguição,
somos caçador e presa


 We make the time hope and despair
from hope we make the anticipation of time
and from desperation the escape

We make the time stagnant,
crazy, empty
or full of life

We make the time a chase,
we are the hunter and the prey


O livro do tempo 04

O livro do tempo 21

O livro do tempo 22

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Histórias policiais - Crime stories


Gosto de histórias policiais. Não daquelas onde baldes e baldes de sangue são derramados por todo o lado mas sim das que nos desafiam a analisar e a pensar, e onde o criminoso é revelado apenas na penúltima página.
Mas com excepção de uma, estas não são fotos de crimes a sério...
I like crime stories. Not those where buckets and buckets of blood are spilled everywhere, but those that challenge you to analyze and think, and where the criminal is revealed only in the penultimate page.
But with the exception of one, these are not pictures of real crimes ...



Um cadáver à deriva no oceano? Não, apenas um tronco que se soltou durante alguma cheia e veio flutuando rio abaixo.
A corpse adrift in the ocean? No, just a trunk that came loose during a flood and floated down the river.


Uma caveira que nos sorri de dentro do seu inundado sarcófago? Não, apenas a chuva outonal encheu de água  uma escultura, creio que de José Pedro Croft. Vista em Évora.
A skull that smiles at you from inside his flooded sarcophagus? No, just the autumnal rain filled in a sculpture, I think of Jose Pedro Croft. Seen in Evora.


Um cão fiel que dorme junto ao corpo mutilado da sua dona? Claro que não, apenas um manequim partido que alguém achou interessante guardar...
A faithful dog sleeping beside the mutilated body of his master? Of course not, just a dummy mannequin that someone found interesting to keep ...


Uma ave morta no asfalto. Assim é a vida, as aves também morrem...
A dead bird on the asphalt. That's life, also the birds die...


E finalmente aqui temos um crime de verdade, um crime contra o ambiente!
And finally here's a real crime, a crime against the environment!