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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

São rosas, Senhor - Roses are, Sire


São rosas, Senhor, terá respondido Isabel quando, carregando pão para distribuir pelos pobres, foi interpelada por seu esposo, o rei Dinis. E, mostrando o pão, o rei viu rosas. E assim aconteceu o milagre das rosas...
Nos dias de hoje esse milagre continua a repetir-se, mas ao contrário, quando o pão que deveria pertencer aos pobres é entregue aos "reis" e por eles transformado em ouro, que avaramente escondem em cofres, em bancos e outros paraísos.
Mas rosas sempre serão rosas.

Roses are, Lord, will have responded Isabel when, carrying bread to distribute to the poor, was asked by her husband, King Dinis. And showing the bread, the king saw roses. And so it happened, the miracle of the roses ...
Nowadays this miracle continues being repeated, but on the contrary, when the bread that should belong to the poor is given to the "kings" and by them turned into gold, which is greedily hidden in safes, in banks and other paradises.
But roses will always be roses.








quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A solidão - Loneliness



A solidão é um caminho difícil, tantas são as portas que não podemos abrir 
A solidão não é só uma casa vazia, é não saber no meio da multidão 
A solidão é não ter as chaves da certeza  e não saber fugir nem onde chegar 
A solidão é ser criança num mundo só de gente grande e não saber crescer

Loneliness is a difficult path, so many are the doors we can not open 
Loneliness is not just an empty house, is not knowing amoung the crowd 
Loneliness is not having the keys of certainty and not knowing where to flee or where to arrive 
Loneliness is being a child in a world of adult people and not knowing how to grow up







 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Semear Palavras - Seeding words


Gosto de semear palavras e vê-las germinar como plantas ávidas de sol 
Gosto de lavrar leiras de escrita, beber da chuva nas manhãs de Abril 
e adormecer nas searas gordas e sensuais do Verão 
Gosto de dançar na música das imagens, 
pintar conceitos nas palavras simples que dizemos 
- amar nascer morrer viver 
Viver nas palavras que se entrelaçam como singelas raízes de heras, 
sobreviventes de mundos despedaçados 
Amar as palavras, semeá-las em floreiras, em jarras ou dedais 
Mágico prazer de criação, acto terno de semeadura  
como sonhar formas inacabadas de sentimentos 
e esperar que cresçam e sejam ideias, ou ideais,  
ou alimentos.

I like to seed words and see them germinate as plants avid for sun
I like to plow windrows of writing, drinking the rain in the mornings of April
and falling asleep in  fat and sensual summer
cornfields
I like to dance on the music of the images,
painting concepts in the simple words we speak
- love die live birth
Living in the words that interweave
as simple ivy roots, survivors of shattered worlds
Loving the words, sow them in pots, or planters or thimbles
Magic pleasure of creation, act of tender sowing
as dreaming of shapes of unfinished feelings
and to expect for them to grow and to be ideas, or ideals,
or food
.









sábado, 16 de fevereiro de 2013

De pé, até ao fim


Aguentam ventos e tempestades, por vezes são derrotadas, vencidas pela força brutal dos elementos. Como a Humanidade. 
São exemplos de resistência até ao fim. Morrem de pé, depois de viverem vidas longas, algumas de milhares de anos. Resistem ao fogo, à chuva, às tempestades. É preciso tanto para as derrubar como a violência do vento, a lava de um vulcão, ou tão pouco como a serra de um lenhador. São garantia de vida. Elas, as árvores.

They withstand winds and storms, sometimes they are defeated, overcome by the brutal force of the elements. As the Humanity.
Examples of resistance till the end. Die standing, after living long lives, some for thousands of years. Resist fire, rain, storms. It takes as much to bring them down as the violence of the wind, the lava from a volcano, or as little as a lumberjack saw. They are guarantee of life. Them, the trees.








segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Barcos da praia - Beach boats

Pequenos barcos de pescadores dormindo nas praias, sonhando sonhos de espumas e marés.
Poesia suavemente vibra nas suas formas esguias e elegantes, poesia resistente, que afronta o rugido do oceano e os gritos das gaivotas.
Lado a lado dormem os barcos e os pescadores, o mar é sua liberdade e condição, o sal é áspero, as mãos também, mas o sonho é feliz e doce.

Small fishing boats asleep on the beaches, dreaming dreams of foams and tides.
Poetry gently vibrates in their slender and elegan
t forms, tough poetry that braves the roar of the ocean and the cries of seagulls.
Side by side they sleep, boats and fishermen, the sea is their freedom and condition, the salt is rough,
also their hands, but the dream is happy and sweet.


Barco negro , the unforgetable Amália Rodrigues...





sábado, 9 de fevereiro de 2013

Somos filhos de Sol - We are the Sun's children



Somos filhos do Sol e da Terra,
crianças perdidas, em busca de sonhos
em campos minados
Somos crianças do sol perdidas na terra,
à espera do verde
nos campos lavrados da guerra
Somos filhos do sonho do Sol e da Lua,
perdidos num pesadelo
Crianças sobreviventes,
coniventes na luta da morte
para dominar a vida
Somos filhos do Sol de uma era perdida
Vivemos de esperança à espera da Vida

We are children of the Sun and the Earth,
lost children, searching for dreams
in minefields
We are the Sun's lost children on earth,
waiting for the green
on plowed fields of war
We are children of Sun and Moon
's dream,
lost in a nightmare
Surviving children,
accomplices in the fight
of
death to dominate life
We are
the
children of a Sun's lost era
We live of hope waiting for Life





 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Estradas da vida - Life roads


Estradas são como linhas de vida, que se cruzam e entrecruzam, curvas ou rectas, suaves ou ásperas, que sobem ou que descem. E vidas são como estradas onde não há sinalizações, onde por vezes o caminho que nos parecia certo acaba se revelando errado e nunca se pode retroceder...  São vidas que convergem ou que divergem, que se encontram ou se perdem entre montanhas de impossibilidades. 
Estradas que juntam e que afastam, que trazem a vida e que a destroem, feitas de sonhos e de morte, como a vida.

Roads are like life lines, that intersect and intertwine, curved or straight, smooth or rough, which rise or descend. And lives are like roads where there are no signs, where sometimes the path that seemed right turns out to be wrong way and you can never go back ... Lives that converge or diverge, that meet or get lost among mountains of impossibilities.
Roads that join and apart, that bring life and destroy it, made ​​of dreams and death, like life.









segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Pontas soltas - loose ends


Pontas soltas de vidas esquecidas, histórias inacabadas que ninguém mais sabe contar. A bilha que alguém esqueceu à sombra da velha oliveira, como um amor velho que foi substituído por um novo amor, ou o relógio que ultrapassou o tempo e do alto da sua torre troça da gente que passa apressada. 
As histórias de magia que lutam por escapar de livros que já ninguém lê, enquanto uma teia global envolve e prende um mundo real que o virtual tenta dominar.
A janela que o Inverno encerrou e onde o Verão adormece, a jovem laranjeira que é agora a última habitante do castelo, arruinado pelos séculos que sobre ele passaram, ou a caixa de correio que os carteiros já esqueceram.
São pequenas histórias sem princípio nem fim, imagens singulares extraídas do grande filme que é a vida...

Loose ends of forgotten lives, unfinished tales that no one else knows how to tell. The pitcher that someone forgot in the shade of the old olive tree, as an old love, discarded and replaced by a new one, or the clock that surpassed its time and from the top of the tower mocks the people who hurried passes by.
 
The stories of magic struggling to escape from books that nobody reads anymore, while a global web involves and holds a real world, where the virtual tries to dominate.

 
The window closed by the winter, where the summer falls asleep, the young orange tree that is now the last inhabitant of the castle, ruined by the centuries that have passed on it, or the mailbox that postmen have forgotten.

These are small stories without a beginning or a end, single images extracted from the great movie that life is...








sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Felicidade é uma flor - Happiness is a flower


Felicidade é uma flor, cresce num vaso, num jardim, num copo de água. Felicidade é assim.
Amor e mágoa, ternura e amizade, um lençol fresco e um quente cobertor, o abrigo de um braço amigo.
Felicidade é também comunicar um com o outro, é  solidariedade, paixão e ilusão.
É uma flor e é preciso regá-la para que viva.

Happiness is a flower, it rises up in a flowerpot, in a garden, a glass of water, so is happiness. 
Love and sorrow, tenderness and friendship, a fresh sheet and a warm blanket, the sheltering arm of a friend.
Happiness is also communicating with each other, it is solidarity, passion and illusion.
It is a flower and it needs water so it will live.